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quinta-feira, 29 de outubro de 2009

OBSERVANDO AS BORBOLETAS- joana darc medeiros de azevedo da mata

















Nos pomares e jardim as borboletas
Brincalhonas pulam nas flores
Suaves e espertas
Roubam delas as suas cores
E nas flores da maçã
As borboletas brancas
Oscilando na manhã
Resvalam pelos galhos
Ofuscantes e majestosas
As borboletas amarelas
Osculam as rosas
E brincam com as flores de canela
Enquanto as negras
Bailando exuberantes
Abrem caminhos
Solitárias pela noites
A cada primavera
Procuro uma borboleta azul
Estou sempre a espera
Para guardar em meu baú
Pois são raras em sua cor
Leves como um sonho
Misteriosas como o amor
E inatingíveis como um grade amor,suponho.
Joana M.A.Mata / SP Brasil 31-03-2017






DESALENTO - JOANA D'ARC MEDEIROS DE AZEVEDO DA MATA




Hoje amanheci nostálgica e decidida
A jogar fora todos os meus poemas
Ou simplesmente esquecê-los em qualquer lugar
Quem sabe algum poeta os encontrara
E romanticamente irá adotá-los
Vesti-los com doces palavras de amor
Alguns servirão como mensagem
Outros até cartazes
Ou simplesmente quem os encontrar
Vai deixá-los no mesmo lugar
Ou amassá-los e jogar no lixo
Porque os acharão ridículos e incoerentes
Cheios de nostalgia
Simples relato do dia-a-dia
Sem meias verdades nem máscaras
Sem paz, esperança ou geografia
Enfim são simplesmente poemas
E os poemas assemelham-se as luzes artificiais
Usamos ao escurecer
Mas aos primeiros raios de claridade já não satisfaz
Daí inerte, aguardam um novo tempo para clarear
Até que toda sua vida útil se desfaz
E silenciosos, sem lamentação
No tempo esquecido jaz

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

RENASCER - JOANA D'ARC MEDEIROS DE AZEVEDO DA MATA




O retrato na parede...
inerte,parado,
Inteiro, desbotado.
Empoeirado...
Eternizando a lembrança
Do amor
Que o tempo foi testemunha
Que a morte levou
E que a felicidade acompanhou

Tirei o retrato da parede
Pura melancolia,
Morte a saudade
Que permita a passagem para a felicidade
A tristeza e rápida como poeira
Quero distancia da nostalgia
Basta de tristeza
Quero da vida a poesia
Que venha com a alegria
Momentos de felicidade

Que fazer deste retrato?
A inércia me assusta
E a poeira sufoca
Horas de amargura
Basta de saudade
Tempo de esquecer
Quero a vida que me resta viver
Enterrar o passado
Eplantar no presente
Mudas de felicidade

Joana D.M.A.Mata SPBrasil

INICIATIVA - JOANA D'ARC MEDEIROS DE AZEVEDO DA MATA




Hoje amanheci com vontade de ser feliz
Vou abrir as portas do meu coração
Deixar de ser da vida, um aprendiz
E me descartar da tristeza com obstinação

Vou abrir as janelas da minha alma
E a cada amanhecer deixar o vento levar
A fragilidade que me dizima
E a saudade que insiste em me fragmentar

Vou emprestar do arco-íris as cores
Pintar com alegria todos os meus dias
E buscar sem medo novos amores

Ousar descobrir para cada problema, soluções
Dosar com sabedoria minhas emoções
E buscar com coragem novas oportunidades

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

PESADELO - JOANA DARC MEDEIROS DE AZEVEDO DA MATA




Quebrei o motor do aquário
Agora não sei o que fazer
E o que mais me dói
É que os peixinhos vão morrer

Não tive culpa
Tropecei no fio e escorreguei
E a sorte foi tanta
Que no aquário me segurei

Encaixei a tomada
Mas não sei o que aconteceu
A sala ficou toda escura
E até a imagem da tv, desapareceu

Não tarda anoitecer
Papai logo vai chegar
Nem sei o que vai acontecer
Quando ele pela sala passar.

O telefone tocou
Meu pai avisou que vai demorar
Minha mãe nos chamou
E serviu o jantar

Acabou a refeição
Fui escovar os dentes
Desesperado pensando na situação
E procurando uma saída inteligente

- Vamos crianças para a cama
- Mamãe, preciso lhe falar.
- Espere um pouco meu filho,
Seu pai acaba de chegar.

Ela apagou a luz e desceu correndo
Nem me deu tempo de falar
Fiquei na cama desesperado
meu pai quando chegar vai brigar!

De repente na minha frente
Apareceu uma estranha criatura
Muito sorridente e falante
Com um olhar cheio de ternura

Usava um batom coral
E um enorme colar de pérolas
Na cintura um colorido cachecol
E na cabeça uma tiara de estrelas

Com seus enormes tentáculos
Sentou-se ao meu lado e veio me abraçar
Fiquei muito assustado
Com medo dela me sufocar

Perguntei como se chamava
E o que tinha vindo fazer
Falou que seu nome era Lula Maria
E estava aqui para me conhecer

Convidou-me para morar no fundo do mar
Escorregar nas ondas
Nadar até se cansar
E ouvir as sereias cantar

Falou que quando a madrugada ainda esta pálida
As sereias gostam de ir para a praia se aquecer
E banhar-se nas ondas aneladas
E cantar bonito para fazer a lua adormecer

- Não sei se posso aceitar o seu convite
sou menino e você molusco
Vivemos de forma muito diferente
Tomo leite pela manhã e não dispenso meu almoço

- Quanto ao leite não vejo problema
Com a meu amigo dugongo posso contar
E sem duvida a mãe dele lhe arruma
Bastante leite para tomar

- Tem mais um problema
E este você não vai poder resolver
Gosto de dormir na cama
Até o dia amanhecer

- Bom isto também não é problema
É só uma questão de esperar
Procurando no fundo do mar, com calma
Muitos navios com camas vamos encontrar

- E você perderá dormir tranquilo
Porquê se algum predador ousar te atacar
Estou alerta e de perto de você não me retiro
E uso sépia pra te proteger, pode acreditar

- E agora chega de conversa
Acho bom você se levantar
Estou começado a ficar com pressa
Se demorarmos o tempo é curto pra brincar

Lula Maria saiu com o amigo
Reclamando que estavam atrasados
Quando de repente ele escorregou
E no chão se esborrachou

Foi um alvoroço danado
A família com o barulhos acordou
O pai vendo o filho caído
Carinhosamente o levantou

Zizinho ainda sonolento
Perguntava pela Lula Maria
E sua mãe meio sem jeito
Respondeu que não a conhecia

Ele explicou que era uma amiga
Que estava levando-o para passear
E sua mãe com paciencia
Explicou que ele estava a sonhar

O papai ficou aborrecido
Diante de tanta confusão
E foi logo gritando
- Para moleque de alucinação!

Zizinho viu que o pai estava ficando bravo
E logo pensou que era por causa do incidente
Daí desesperado gritou
- Os peixes morreram, mas eu sou inocente!

Foi ai que a mãe logo falou
- Bateu a cabeça, vamos ao pronto-socorro
E aí seu irmão lembrou do que aconteceu
- Calma pessoal, deixe eu falar primeiro

No fim da tarde ele estava mexendo nos peixes
De repente tropeçou e quase caiu
Segurou o aquário para não cair, mas
Com o puxão a tomada do aquário se soltou

A mamãe nos chamava da cozinha
E ele ligava a tomada
Neste momento faltou luz e ele assustado
Pensou que o motor estava quebrado

Todos começar a rir
Mas ainda faltava uma explicação
Quem era Lula Maria
E por que o menino estava andando pela escuridão

Foi ai que Zizinho entendeu
O que no dia anterior aconteceu
Na aula de ciências ele aprendeu
Sobre os moluscos e com uma lula sonhou

Daí foram todos dormir
E Zizinho aprendeu a lição
Por maior que seja problema
Sempre existe uma solução.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

INJEÇÃO DE ANIMO - JOANA D'ARC MEDEIROS DE AZEVEDO DA MATA


Escute aqui meu amigo,
Por que esta cara de desanimado?
A vida também tem seu lado amargo
Por qualquer coisa não é certo ficar abatido

Afinal você é um campeão
Inteligente e imune ao sofrimento
Pois escolheu o time certo
Com orgulho cem por cento Coringão

sábado, 19 de setembro de 2009

CONFUSÃO NA FLORESTA - JOANA D'ARC MEDEIROS DE AZEVEDO DA MATA



A tristeza havia se mudado para a floresta
Os rios aos poucos morriam
A coruja vivia sonolenta
E até os pássaros dos ninhos não mais saiam

Os leões estavam, cada vez mais sisudos
As folhas negavam-se a  banhar-se no orvalho da manhã
Os macacos passaram a andar carrancudos
Tudo tão mudado que até lagarta fugia de maçã

Inédito, o bicho preguiça ficou acordado
E a bicharada corre pra todo lado agitada
Muita bagunça e todos alvoroçados
Comentando que a festa vai ser animada

A coruja que tem fama de ser sabichona
E está sempre de plantão
Resolveu acabar com esta sina
E tomou a grande decisão

Com dança, muita comida e cantoria
Idealizou uma estrondosa festa
A felicidade na certa retornaria
E todos se livrariam da tormenta

Os coelhos como sempre apressados
Ofereceram-se para organizar a festa
E indicaram os pombos para levar os recados
Aos animais que haviam partido da floresta

Primeiro passo:escolher onde o evento aconteceria
Tinha que ser um lugar confortável e aconchegante
Mas de repente a araponga ficou na maior gritaria
Quando avistou entre os presentes um elefante

A coruja calmamente a crocitar
Sem ligar para o elefante que passou a bramir
falou que todos iriam participar
tanto fazia ser girafa, cascavel ou jabuti

e num clima de euforia e confusão
o lugar finalmente foi escolhido
seria a margem do ribeirão
onde o bosque era sempre florido

os macacos logo foram escolhidos
para o banquete fazer
pois eram muito prendados
e trabalhavam com prazer

Na abertura os canários
Pois cantavam com alegria
pererecas e cabritos
fazendo á acrobacia

bailando por sobre as flores
beija flores e andorinhas
borboletas de todas as cores
bem-te-vis e cotovias

as abelhas ficaram irritadas
e começaram a zoar
porque não foram escaladas
para a festa começar

a raposa matreira
muito solicita passou a imaginar
uma forma ligeira
da tartaruga na festa chegar

a cachoeira ficou encarregada da iluminação
passou a fazer tudo muito planejado
Serpenteando nas pedras com obstinação
Refletiria a luz do céu todo estrelado

Enfim chegou a primavera
A bicharada era só animação
Sem demora nem espera
Deu inicio a comemoração

Até as formigas cautelosas
Marchando sempre enfileiradas
Alegres e vaidosas
Chegaram na hora marcada

De repente o pânico se espalhou
No clima de harmonia
Foi a gralha que gritou
Com desespero e agonia

-humanos acabam de chegar
fujam todos por favor
eles vieram nos aprisionar
nos machucar e espalhar terror

aos poucos os pássaros se calaram
os animais se dispersaram
as flores empalideceram
e as estrelas se apagaram

a mãe natureza em pranto
revoltada com tanta devastação
deixou a brisa da noite
se transformar em furacão

mas mesmo com este aviso
o homem não entendeu
e continuou destruindo
o maior bem que Deus lhe deu

não é mais possível esperar
a cada dia aumenta enchentes, furacões
o homem tem que se conscientizar
e por fim a tantas destruições

pois é impossível sobreviver
num planeta frio e escuro
vendo a fauna e a flora morrer
e não respirar o ar puro.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

COMPARAÇÃO - JOANA D'ARC MEDEIROS DE AZEVEDO DA MATA


Assim é que sinto a vida
Um eterno se transformar
E enquanto a criança brinca
Num constante desabrochar
O jovem adormecido
Nos braços da ilusão
Esquece que é ser concreto
E se entrega a beleza
Sem tempo pra descansar
E o velho com experiência
Mantém a alma congelada
Num cristal tão transparente
Que até o vento suave
Num sopro pode quebrar
E falando em suavidade
Em vento solto no ar
Há de chegar borboletas
Para o perfume das flores
Tão sabiamente aspirar
Ao contrário do velho cansado
Sem forças pra caminhar
Que exala o perfume da vida
Conta história lembra amores
E por ser constante em meditar
Pouco é ouvido e por nada falar
Vive um presente de passado
Do muito que leu
De tudo que viveu
Do pouco que aprendeu

Concluindo-se então que
A criança está para o botão
Bem com o jovem para a flor
O que sobra apenas para o velho
A essência, o perfume...
A semente do fazer brotar
E a raiz que dá sustentação


quinta-feira, 20 de agosto de 2009

PRENUNCIO DE PRIMAVERA - JOANA D'ARC MEDEIROS DE AZEVEDO DA MATA





Agosto está indo embora
Para setembro chegar
E a primavera não demora
Pra nossa vida florear

Enquanto no céu devagarzinho
O sol começa a esquentar
E os pássaros abandonam os ninhos
E alvoroçados voltam a cantar

Os caracóis descuidados
Passeiam pelo jardim
Enquanto o vento emburrado
Sopra forte com uma fúria sem fim

Roubando o brilho da manhã
Desfilam elegantes as joaninhas
Com vestido de pura seda
Salpicados de bolinhas

Indiferentes borboletas coloridas
Ficam dançando no ar
Beijando as flores que apaixonadas
Acompanha o seu bailar

A vovó preocupada
Afofa a terra com cuidado
Para não ferir as minhocas que ocupadas
Trabalham lado a lado

E a cada muda que planta
Imagina emocionada
O quanto as flores encantam
Aos jovens, aos velhos e a molecada


quarta-feira, 19 de agosto de 2009

INCÓGNITA - JOANA D'ARC MEDEIROS DE AZEVEDO DA MATA

Se o luzir que dos teus olhos se incorpora
A negra cor dos teus cabelos ora loiro
Como saberei minha musa inspiradora
Até que ponto a ti sou lisonjeiro

Enfim a vida é uma eterna sucessão de se
Se não como iríamos descobrir
A graça de no amor desnudar-se
Para adiante de dores se cobrir

Daí a conclusão mais óbvia deste soneto
Nesta rede de ficção que ora me prende
A cada verso de amor de mim nascido

Sem solução minha amargura velo em verso
Para no instante seguinte estereotipar e dizimar
A espera de novas emoções para acreditar

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

AOS DESCRENTES - JOANA DARC MEDEIROS DE AZEVEDO DA MATA












Até num desprezado galho seco
Jogado no meio do esterco
O mais descrentes dos ateus
Pode enxergar a força de Deus
É SÓ OLHAR COM O CORAÇÃO

No mais distante deserto
Do pervertido ao pastor
Pode sentir ao seu lado
O poder do Criador
PARA AFUGENTAR A SOLIDÃO

No homem que agoniza coberto de ferida
Abandonado pela sorte e pela vida
Mesmo quando todos o repelem
Jesus pode tocar na sua pele
NÃO JULGUE O QUE DESCONHECE

Diante de um temível tubarão
Na tempestade ou num furação
Se a tua fé te iluminar
O Consolador pode te salvar
FECHE OS OLHOS E TENTE UMA PRECE

Nas amarguras que a vida oferecer
Siga em frente não se deixe abater
Pois bem mais que o sol Deus esta a brilhar
E aos seus fieis nunca ira abandonar
EXALTE A DEUS EM QUALQUER LUGAR


Fale sempre do seu imenso amor
Nos presídios para os marginais
Nas grandes festas e nos funerais
Nas escolas e nas repartições
Para políticos, administradores
Jornalistas e professores
NÃO ESCOLHA HORA NEM OCASIÃO

Ele e a única solução
Tem o poder da transformação
Na vida de toda a humanidade
Em qualquer escala social
CIRCUNSTÂNCIA OU SITUAÇÃO

Deus é Unitranscedente
Não é feito de argila nem de papelão
Mas de amor e de perdão
Sobre medida para nossa salvação

sábado, 4 de julho de 2009

HISTÓRIA DE AMOR - Joana darc Medeiros de Azevedo da Mata


Um perfume agreste
Perde-se no ar
No limoeiro um pássaro triste
Canta sem cessar

No pomar as abelhas inquietas
Não param de voar
Enquanto às estrelas
Esperam a lua para se banhar

A lua esta atrasada
O vento as folhas acariciam
Enquanto nuvens apressadas
Da tarde se despediam

Dos tons alaranjados
As nuvens se despiam
E com tons acinzentados
Pra noite se vestiam

Deitado na varanda
Cansado de labutar
O sertanejo sonha com o dia
Que na cidade ira morar

E assim mais uma noite passa
E pra espantar a solidão
Bebe um gole de cachaça
Tira da viola uma canção

Uma canção que fala de amor
De uns olhos verdes que nunca esqueceu
Da morena que seu coração roubou
E da cachoeira onde a conheceu

quarta-feira, 1 de julho de 2009

ATITUDE - Joana darc Medeiros de Azevedo da Mata


Voltar com você, nem pensar!
Você conseguiu me descontrolar
Agora só quero me ajustar

Definitivamente vou mudar
Não posso mais aceitar
Teu jeito egoísta de amar

Estou decidida
Vou mudar minha vida
E deixar de ser comedida

Resolvi criar um estilo diferente
Muito pra frente
Talvez até irreverente

Se desta forma, se você não me aceitar
Vou sofrer, não vou negar
Mas o negocio vai ser separar

Nesta minha nova faceta
Sei não vais me olhar satisfeita
Mas quem ama sempre aceita

Depois, você agiu com leviandade
Faltou com a sinceridade
E abusou da minha bondade

O que vou falar e difícil de acreditar
Mais ainda de aceitar
Pois nossa diferença é de assustar

Mas como eu continuo a te amar
Pensa bem se quiser pode voltar
ULTIMA CHANCE é pegar ou largar.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

HOMENAGEM A MICHEL JACKSON- Joana d'Arc Medeiros de Azevedo da Mata (HOMENAGEM A MICHAEL JACKSON)


Ainda verde, negro surgia
Do amarelo ouro embranquecia
Voz, metamorfose, ousadia
Ritmo alucinante,euforia

A tarde anoitecia
Um abraço eletrônico acontecia
E o anjo cinquentenário partia
Sufocada em asas de aço a voz silencia

Numa coreografia incompreendida
À terra do nunca não mais voltaria
Mais um astro que partiu sem despedida
Deixando um rastro de luz e magia

terça-feira, 23 de junho de 2009

RESQUÍCIOS - Joana d'Arc Medeiros de Azevedo da Mata




Busco no verso a inspiração
Sou poeta mas não sei recitar
Perdida em noites de solidão
Escrevo o passado e fico a recordar

Lembro o pé de caqui chocolate
Sinto o cheiro de jasmim
Do cão brincalhão que só late
As crianças brincando no jardim

Da missa todo domingo
Catecismo, primeira comunhão
Na Santa Marina o cheiro de pão
Bacalhau, sexta feira da paixão

As carroças da Prefeitura
Fazendo a coleta do lixo
O bonde que não sai do trilho
E o vendedor de pirulito

A casa mal assombrada
Que nos causava arrepio
O morro da Rua Arapuá
E a velha Fabrica de vidro

O lago que não mais existe
Pássaros voando ao cair da tarde
Avenida Diederichsen
Balões por toda parte

Os velhos conversando pelos cantos
Reclamando incomodados
Do Barulho das novas construções
E do vai e vem dos aviões

Quanta alegria ir ao cine Maringá
Passear no Jardim Zoológico
E aos domingos caminhar
Até o Jardim Botânico

Lembro da Igreja de São João Batista
Da Farmácia do seu Odilon
Do empório do seu Tomás
E do campinho de futebol

Da carrocinha que apavorava
Quando passava recolhendo animal
Das ruas pouco iluminadas
E dos bailes de carnaval

No meu peito há uma sombra de emoção
E os meus sonhos viram verdade
Quando restauro a tela da minha recordação
Pintada com as cores da minha saudade

sábado, 20 de junho de 2009

SOLIDÃO VORAZ - Joana darc Medeiros de Azevedo da Mata


Na solidão da noite, senti saudade.
Temi a madrugada com o frio aproximando- se veloz
Uma saudade tão fria como a madrugada
E tão felina e forte como a morte.
No telhado, os passos ágeis de um gato
Último elo de um tempo que também passou
A sensação de perda era tanta que eu procurava pelo galo
Onde estava o despertador estridente
que me acordava nas manhãs de outrora?
Não sei se ele havia partido para dar espaço ao gato
Ou se eu a saudade e o gato,éramos únicos
Presentes e sobreviventes do ontem que agora era presente
Meus pensamentos corriam com tanta velocidade
Que eu temia que a manhã seguinte não pudesse alcançar
Como não conseguia alcançar a resposta para tanto por que
E adentrando a solidão cheguei ao ridículo
de sentir saudade da saudade que sentia
Hoje a saudade estava resumida
a um inexplicável sentimento de perda
Que se apodera da vida com tamanha propriedade
Que sem compaixão nos faz perder a razão
Pela própria força das circunstâncias
emudece impedindo de ocupar espaço
Espaço que o gato com astúcia irracional continua a ocupar
Indiferente ao progresso e ao edifício que envaidece o homem
Com metas iguais, metais e objetivos diferentes
Com vara de condão em mãos de aço
Rompendo a distância e buscando o céu
Rebuscando-se no estilo gótico
Fugindo do concreto e aderindo ao aço
Tomando e ganhando espaço
Desprezando a bomba e o avião
Que ocupa o espaço do canhão
Que hoje adorna o museu
Como o galo despertador
O velho na sua dor
E o poema de amor
Que morreu de saudade

quinta-feira, 18 de junho de 2009

SONHO DE INVERNO - Joana d'Arc Medeiros de Azevedo da Mata

Nas noites de junho

Meu sonho é de frio
tem céu sem estrela
lua escondida
vento perdido
nuvem sem cor
fogo sem chama
sol sem calor
noite escura
chuva gelada
praia deserta
onda sem espuma
flor sem perfume
folha encolhida
pássaro preso
canto de dor
mãos que se afastam
lágrimas de amor
Nas noites de frio
meu sono é pesado
é sonho triste
de sono sombrio
sono de inverno
com sonho sofrido
de amor mal amado























quarta-feira, 17 de junho de 2009

SUGESTÃO - Joana d'Arc Medeiros de Azevedo da Mata


Se você plantar
Nunca sentirá escassez
Se você doar
Que seja sempre o melhor de ti
Se você chorar
Que seja sempre de felicidade
Se você somar
Nunca te faltará forças
Se você subtrair
Que seja de suas lembranças os maus momentos
Se você multiplicar
Que seja para dar aos que não tem
Se você dividir
Nunca vai se sentir só
Se você amar
Em primeiro lugar que seja a Deus

terça-feira, 16 de junho de 2009

ENTRETANTO- Joana d'Arc Medeiros de Azevedo da Mata


Na vida nada acontece por acaso
Mas a cada dia um novo desafio se repete
Não da forma que nos preparamos
Mas de um modo inteiramente diferente

Sempre que dia amanhece
Somos homenageados com muito amor
E embrulhado em papel de presente
Temos o que nos foi reservado pelo Criador

Mas às vezes o presente que recebemos é diferente
E por ser desagradável, jogamos a culpa no destino
Por não entender, não ficamos nada contentes
E revoltados somos levados ao desatino

Mas o amor de Deus é ilimitado
Conhece a nossa necessidade
Nem sempre o que queremos, é permitido
E no futuro pode nos trazer infelicidade

Portanto se o dia te parecer muito frio
Encha de calor o teu coração
Ouse, se movimente enfrente o desafio
Pois pior que a dor é a solidão

Não deixe que ela tome conta de você
Tenha fé e desfrute a companhia de Jesus
Nasceste para ser feliz,nem sempre há tristeza onde se vê
A cada manhã Deus enche a tua vida de luz

segunda-feira, 15 de junho de 2009

ENIGMA - Joana darc Medeiros de Azevedo da Mata


O tempo e eu sessenta
Continuo a procurar
A medida exata
De poder me decifrar

Sou o medo que afoga
A verdade que grita
O desejo que cala
A fantasia obscena

Sou a visível vontade
Oração em chama
Frescor, mocidade
E a fome da vida

Sou o sorriso que brota
Do alvorecer a poesia
A noite que acalma
E a lágrima que fica

Sou o sonho que não acaba
Esperança que não morre
Velhice que escasseia
E desejo que vive

Eu sou quase nada
Um pouco de mim mesma
Com o muito que aprendi
E o que o tempo me fez
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