segunda-feira, 6 de abril de 2009

LADO OCULTO-JOANA D'ARC MEDEIROS DE AZEVEDO DA MATA

Sou operária das ilusões
Estou sempre a fazer experimentos
Burlando as mais fortes emoções
Transformando dor em sorriso, abafando o tormento.

Gosto de aproveitar todo tempo que me foi doado
São alternativas limitadas de um futuro incerto
O meu estar aqui é vida num prazo limitado
O limite do meu fazer é o meu final concreto.

Não sou responsável pela minha existência
Se gerada do amor ou do descuido está além da minha imaginação
Só tenho certo que não sou consagração do avanço da ciência
Portanto me resta ser fruto de um grande amor ou pura acomodação

Sou um ser de energia numa unidade divisível
Personalidade, pois tenho o domínio da transcendência
Quando estou ao lado do amor, sem tormentos, sou pura emoção
A sós comigo, sou amargura, dor, franqueza e impotência

Vivo a natureza capto sua luz , sou energia
Gosto de caminhar com o vento, sou liberdade
De viajar no tempo levada pela simetria
Insatisfeita, incoerente, persigo insidiosa a felicidade

SINFONIA-JOANA D'ARC MEDEIROS DE AZEVEDO DA MATA

Estava absorta na praia a caminhar
Lúrida, solitária sem saber aonde chegar
Pensava; como seria oportuno um amigo encontrar
Quando percebi um pequeno pássaro a voar

Rasgando a distância do espaço por mim ele passou
Mais adiante o néctar de uma flor ele sugou
Que por sua vez dividiu-se em cores e despetalou
E com o vento solto se harmonizou

Como é outono o tempo sempre muda de humor
E o vento inconsequente fica sem controle
Rodopiando arranca do fundo do oceano
Conchas e estrelas para a praia enfeitar

E adejando o vento continua
No mar encrespa as ondas e entorta suas pontas
Que de plúmbeas lívidas se tornam
E em lágrimas de espuma espalham-se na areia

No horizonte, um resto que sobrou de sol quase verão
Empresta suas cores tingindo o oceano
Em busca de paz contemplo o entardecer
E curvo-me em prece ao Rei da Criação

E o pequeno pássaro segue seu trajeto
Indiferente a tudo cumpre o seu papel
Sem se dar conta que o bater de suas asas
Esta intrínseca ao murmúrio do mar

E o vento já mais calmo segue pela noite
E vai cantarolar junto aos coqueirais
Que dançam irreverentes para graça e glória
Daquele que é a razão do nosso existir

Deus pai soberano mostra sua grandeza
Com asa, o vento as flores a folha e o mar
Tornando-as integrantes da grande sinfonia
Regida com harmonia pelo criador

sábado, 4 de abril de 2009

RECOMEÇANDO - JOANA D'ARC MEDEIROS DE AZEVEDO DA MATA

O frio chega abafando o calor sufocante
O vento inquieto murmura de canto a canto
No céu que se veste de um cinza cintilante
Que abril chegou empalhando seu encanto

A tarde melancólica se deita sonolenta
No horizonte de rubro entardecer
noite não tarda, misteriosa e lenta
E a solidão me faz adormecer

Na suavidade de um sonho, sou pássaro sem asas
E a um mundo novo começo a transcender
Livre da dor cruel que insiste em me abater

Mas ao amanhecer esqueço a solidão e passo a entender
Que em cada abril que chega nos é dado à oportunidade
De recomeçar a vida num eterno aprender



São Paulo, 03-04-2009

AÇÃO DO TEMPO - JOANA D'ARC MEDEIROS AZEVEDO DA MATA

Agora, é tudo que me resta...
E é também, tudo que tenho para conquistar no amanhã.
Pois quando ontem partiu, levou consigo minhas ilusões.
Levou também juventude, ingenuidade e fragmentou a felicidade.

Se perguntares quantos anos tenho,com certeza te direi que não mais os tenho,
Pois com o passar do tempo eles também se foram.
Como se foi um pouco daquilo em você, que eu queria que tivesse,
Para que eu pudesse me dizer que te amava ainda tanto

Mas tempo não é um anel que novamente virá
E não se permite, aliança.
Ele tem seu tempo
E nada o deterá.

Dos meus cabelos, a cor ele emprestou para pintar saudade.
De um turbilhão de sentimentos, a metamorfose.
Dos conflitos e incertezas, a transparência.
E das ilusões e sonhos, agora saudade.

Dos amores, no hoje este é o ideal
Dos choros e temores, a certeza.
E da juventude e ingenuidade a maturidade
Para conquistar novos amanhãs.


O ontem tem a magia da cristalização,
O poder da sabedoria e a beleza do antigamente,
A crueldade da constatação,
E a força bruta do recomeçar.


48- JDSP 01-06-2002
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