terça-feira, 7 de março de 2017

SAUDADE
Tenho sede de paz e esperança
Quero saciar os meus anseios
Tenho a alma de criança
E a tristeza do rouxinol em seu gorjeio
Ao cair da tarde quando o sol se despede
Deixando a lua ardendo de saudade
E do céu gotas de orvalho se desprende
Enquanto as flores esperam a alvorada com ansiedade
Lembro do teu corpo a repousar no féretro
Parecendo contemplar o horizonte sereno e belo
Com um sorriso misterioso e singelo
Muito tempo já faz que tu partistes
Mas guardo no peito os belos momentos
Onde o amor não deixava entrar o sofrimento.
JDMAM 70 SPBrasil 06/03/17
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CONTRADIÇÃO
Quando quero mar sou solidão
Se solidão fico a sorrir
E sorrindo sou tristeza
Se tristeza sou poesia
Sou poesia sou tormento
Se tormento, incerteza
Incerteza mansidão
Mansidão vento a correr
Correndo a sua procura
Procurando num fio o amor sem fim
Pra por fim neste vazio
Vazio que inunda meu coração
Coração cheio de sonho
Porque sonho é matéria prima
Que prima na rima
E rima desilusão com raiva
Raiva com um mar de silêncio
Pra em silêncio o amor se afogar.
JDMAM 69 - SPBrasil 05-03-17
SOBRAS DE AMOR
Quero esquecer todos os meus tormentos
Simplesmente vou viver
Sem justificativas nem argumentos
Vou tirar da minha vida você
Mesmo que minha alma adentre ao inferno
Conhecendo o mais tétrico dos desesperos
Com esta dor que tem a força do fogo eterno
De você nada mais quero nem espero
Vou desmistificar está áurea que te fez divino
Este afã que sai de tua alma inquieta
Esquecer este teu jeito displicente e misterioso
E rasgar está minha fantasia de amante discreta
Quero pra mim uma vida cálida de estio
Me sentir novamente levada pela mansidão de um rio
Cansei destas noites repletas de convulçoes e arredios
De caminhar amargurada e com o coração vazio.
Amor só é completo se for a dois
De nada adianta recolher pedaços do que se desfez
Nem querer recuperar sonhos que foram jogados pra depois
Vou tão somente eternizar os instantes que nos satisfez.
JDMAM 68 SPBrasil 03/03/2017
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CONSUMAÇÃO
Anjo pálido
Sem esperança
Banido
Cruel avança
Implacável
A espreitar
Imprevisível
Sempre a esperar
O momento certo
Na solidão
Solta-se corpo deserto
Dá alma, na imensidão
Enquando na vastidão
A infinita amplidão
E em certo momento
O esperado ato finito
JDMAM 67 SPBrasil 02-03-17
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quinta-feira, 2 de março de 2017

NO SILENCIO DA NOITE
Aos poucos caiu a noite
A brisa suave fez o convite
Enquanto o silêncio conspira
E a lua inspira
A música suave dos enamorados
Ouvida apenas pelos apaixonados
Num som puro como água mansa de cachoeira
Quando escorre gota a gota na ribanceira
E a lua cúmplice incorrigível
Com sua fuga inesplicavel
Abandona o céu que as escuras
Deixa os amantes livres, sem limite e censura
E entregues ao ritmo dá paixão
Ouvindo as batidas descompassada do coração
Entregam-se com o ardor de uma fogueira
E a noite passa, os amantes a cachoeira.
JDMAM 64 - SPBrasil 01-03-17
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